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RELIGIÃO: Excomunhão de médicos brasileiros e agora possível boicote ao filme hollywoodiano. A Igreja Católica é um grande Orkut. O Vaticano está excluindo geral. Para saber mais é so ir...  

Vaticano pode pedir boicote a "Anjos e Demônios"; que tal?

do UOL

O Vaticano pode encampar um pedido oficial de boicote ao filme "Anjos e Demônios", cujo livro foi lançado originalmente antes de "O Código Da Vinci", mas que nos cinemas será uma continuação do filme de sucesso, com direção de Ron Howard.

O jornal oficial do Vaticano publicou um artigo ressaltando que a Igreja "não poderia aprovar" um filme tão problemático.

O jornal "La Stampa" disse que o Vaticano iria em breve convocar um boicote contra o filme, ainda que no mesmo artigo o arcebispo Velasio De Paolis advertiu contra o "efeito bumerangue", que poderia chamar mais a atenção ao filme e eventualmente torná-lo mais popular.

A assessoria de imprensa do Vaticano recusou-se a fazer comentários sobre a notícia. Produtores pediram permissão a autoridades da Igreja para filmar cenas de "Anjos e Demônios" no Vaticano, mas os pedidos foram negados.

Membros da Igreja defenderam um boicote contra "O Código da Vinci" quando foi lançado em 2006, mas teve um efeito muito pequeno na popularidade do filme, baseado no best-seller de Dan Brown. O filme arrecadou aproximadamente 760 milhões de dólares nas bilheterias do mundo inteiro.


Anjos e demônios dos dois lados

por Marcelo Gleiser

A ciência é vista como uma ameaça à religião: quanto mais aprendemos sobre a natureza, mais difícil é aceitar a existência de forças sobrenaturais.

Marcelo Gleiser é professor de física teórica do Dartmouth College, em Hanover (EUA), e autor do livro "O Fim da Terra e do Céu".

Antes do best-seller "O Código Da Vinci", o escritor americano Dan Brown publicou "Anjos e Demônios" que, com o sucesso do "Código", virou também um best-seller. Apesar de o "Código" estar na minha estante, confesso que ainda não o li. Mesmo assim, acabei entrando no mundo de grandes intrigas e sociedades secretas de Brown pela porta dos fundos.

O jornalista e editor Dan Burstein publicou um livro sobre o "Código", com ensaios de especialistas. Bem, o livro sobre o livro também virou um sucesso. Tanto que Burstein resolveu repetir a dose e está preparando um livro semelhante sobre "Anjos e Demônios".

É aqui que eu entro; a pedido de Burstein, li o livro e estou respondendo às suas perguntas. Por que meu interesse em participar? Porque "Anjos e Demônios" trata da "guerra" entre ciência e religião, tema de extrema importância.

"Anjos e Demônios" é escrito em estilo irresistível e acessível. Você prefere não dormir só para ler mais um pouquinho. Ele trata de questões que passam pela cabeça de todos: a existência de Deus, a possibilidade de se ter fé em um Universo que parece ter profunda indiferença por nós, a reconciliação entre o científico e o espiritual. Só que o livro leva o conflito entre razão e fé à uma conflagração apocalíptica.

Quando se fala em "guerra" entre ciência e religião, o termo é usado de forma metafórica. O Vaticano ainda não bombardeou o Centro Europeu de Física de Altas Energias, o Cern. E o Cern também não tem planos de bombardear o Vaticano. Essa é a premissa do livro.

A idéia é genial: um físico religioso acredita ter reproduzido o Big Bang em laboratório, tornando a gênese um evento científico. Sua intenção não era contestar a existência de Deus. Pelo contrário, o cientista queria provar que é possível se criar algo a partir do nada. Mas o feitiço virou contra o feiticeiro.

Claro, a ciência de Dan Brown está completamente furada: seu cientista colidiu dois feixes de partículas a energias altíssimas. Da colisão surgiram partículas de matéria e antimatéria -o oposto das partículas de matéria.

Por exemplo, um elétron tem como antipartícula um pósitron, com mesma massa e carga elétrica oposta. No livro, a criação de antimatéria é tratada como um evento fantástico, surgindo milagrosamente do ponto da colisão entre os dois feixes, feito a criação de matéria no Big Bang, vinda do nada.

Na realidade, esse tipo de fenômeno é observado diariamente em aceleradores de partículas espalhados pelo mundo. O que ocorre é expressão da fórmula E=mc2: a energia das partículas em colisão é transformada em matéria, pares de partículas e antipartículas que "surgem" do ponto de colisão. O Big Bang é uma outra história.

Sendo um livro de ficção, a ciência estar incorreta é menos importante do que a discussão da crise espiritual que assola o mundo.

Em um certo ponto, a secretária do diretor do Cern, uma católica, exclama: "Será que os cientistas acham que quarks e mésons [partículas de matéria] inspiram o homem comum? Ou que equações podem substituir a necessidade de termos fé no divino?" Essa é a expectativa de muita gente, que o avanço da ciência implique na diminuição da fé.

A ciência é vista como uma ameaça à religião: quanto mais aprendemos sobre a natureza, mais difícil é aceitar a existência de forças sobrenaturais.

Realmente, sob o ponto de vista científico, a idéia de que existem forças ou entidades sobrenaturais não faz sentido. Afinal, se algo ocorre e é observado, esse algo deixa de ser sobrenatural. Se é ou não explicado pela ciência é outro problema.

Via de regra, a explicação vem, mais cedo ou mais tarde. Ou seja, a expressão "fenômeno sobrenatural" não faz sentido. Mas existe um dogmatismo muito grande, dos dois lados.

O avanço da ciência deixou um vácuo espiritual que ela não pode preencher. Perdas emocionais, questões éticas ou morais não serão decididas por teoremas ou experimentos. Por outro lado, negar o avanço científico é uma postura absurda. Existem anjos e demônios dos dois lados.

Além disso


VEJA: Acima trabalho da Addicted TV - um remix do filme. Além disso, uma análise dos motivos que fizeram do Favelado Milionário um sucesso de público, crítica e melodrama. Vá...

Piegas, mas envolvente

por Gustavo Nolasco

Estava cheio de preconceitos. De saco cheio da Índia. A da Glória Perez, a dos noticiários, a da moda, a da música, das ruas e da que se assemelha ao Brasil. Mas um murmurinho intenso me levou a Slumdog Millionaire. Antes mesmo dos oito Oscar.

Acho que estava um pouco sensível, o filme me fez chorar.

Não pela história, um romance adolescente a mais. Mas a forma.

É um filme bem fotografado. A beleza, mesmo a de um garoto caindo na merda para ver o ídolo, mexe com as emoções.

A maior parte das pessoas quer que Jamal Malik seja milionário, e olha que dessa vez o foco não é no dinheiro. O favelado protagonista quer ser visto e escolheu o programa preferido da também favelada milionária para aparecer.

O Show do Milhão da Índia dá direito a brincadeiras do apresentador que humilham o rapaz do chá – Jamal era assistente de telefonista -, mas davam lugar a respostas humilhantes também. Afinal, estava ou não estava escrito?

Favela e tecnologia pintam não só a trajetória dos irmãos Malik, como também a trajetória do país que nesse aspecto, se encontra com o Brasil. Até a galinha de Cidade de Deus, de Fernando Meireles, tem seus segundos de fama.

Pra terminar, além do final que todo mundo já sabia. Dança, a la bollywood.

Slumdog Millionaire não é genial. Cumpre o papel, conta uma boa história e emociona. Cinema é pra isso?         

 

 

Contextualizando

por Charles Helmich

 Até uns meses atrás, o cinema indiano se resumia ao mundo ocidental em três palavras-chaves: Bollywood, M. Night Shyamalan e Mira Nair. Isso até o Danny Boyle se entediar da sua terrinha nebulosa e levar sua câmera ágil para a Índia, onde rumou para rodar um filme. Realizador descompromissado, abraçou um projeto trivial: adaptar às telas o best-seller indiano Q & A, de Vikas Swarup - batizado posteriormente de Slumdog Millionaire (e por aqui Quem Quer Ser Um Milionário?) . Detalhe: ele teria que fazer isso com um orçamento modesto – pouco mais de U$ 15 milhões-, e contar com elenco formado por atores locais. Ou seja, uma co-produção longe de ser ambiciosa…

 

Terminadas as filmagens, Quem Quer Ser Um Milionário? foi para a edição e chegou silenciosamente às salas de cinemas americanas no fim de agosto. Passados seis meses do lançamento oficial, a  pergunta é inevitável: como um filme realizado na Índia com atores indianos e dirigido por um cineasta pouco convencional como Boyle faturou cerca de US$ 80 milhões, saiu consagrado nos principais festivais de cinema ganhando inclusive o Oscar de melhor filme? Mas o sucesso do “vira-lata milionário” se deve por muitas razões.

 

A principal delas: Danny Boyle. Se antes o britânico podia ser rotulado como “o cara que dirigiu Trainspotting e alcançou sucesso comercial com Extermínio” agora a coisa muda de figura. Um de seus méritos em Quem Quer Ser Um Milionário? foi adaptar um conto de fadas urbano, aliando a pirotecnia eletrizante dos trabalhos anteriores com a estética bollywoodiana. Em menores palavras: ele consegue contar uma história simples de maneira surpreendente.

  

O filme começa com uma interrogação: “Jamal Malik está a uma pergunta de ganhar 20 milhões de rúpias. Como ele conseguiu?” Um novo letreiro lança as alternativas. Terá Jamal (Dev Patel) trapaceado no jogo de perguntas e respostas? É sorte? Ele é um gênio? Ou…hmmm..está escrito? Com um recurso narrativo simples, Boyle arma a bomba que irá acionar lá no fim do filme. Mas até lá, o espectador ficará vidrado. 

 Na cena seguinte, descobrimos que Jamal é um menino pobre e sem estudo, de apenas 18 anos. Seu bom desempenho no jogo soa incoerente ao apresentador do programa que pede à polícia para torturá-lo até confessar a fraude. Na delegacia, o delegado ouve a trajetória insólita do garoto que apesar da pouca idade conviveu com a pobreza, o preconceito e a criminalidade.

 De origem muçulmana, Jamal cresceu sem rumo ao lado do irmão Salim, aliciado ao crime organizado, e de Latika (Freida Pinto), o grande amor da sua vida. Foi para reencontrá-la que ele se inscreveu no “show do milhão indiano”. E foi a luta pela sobrevivência o conhecimento que proporcionou a ele acertar as perguntas.       

 

Mumbai tecnológica

 

Entre flashbacks e o tempo corrente que meneiam a vida de Jamal, a câmera de Boyle registra uma trama onde a decadente e flagelada capital Bombaim dá lugar ao desenvolvimento social e a prosperidade tecnológica. Na infância, o protagonista é visto numa favela percorrendo vielas, casebres e animais. Uma cena em particular chama a atenção: a câmera abandona Jamal e passa a acompanhar uma galinha em movimento. Se Boyle não quis homenagear Fernando Meireles pela abertura de Cidade de Deus, ele emulou a cena inconscientemente. Das duas uma.         

 Na vida adulta do garoto vemos o renascimento de Bombaim, que passa a se chamar Mumbai. Salpicada de arranha-céus, a cidade que enriqueceu com a informática é captada com onipotência pelo diretor. E é do alto de um prédio em construção que Jamal reencontra Salim, então braço direito do traficante mais temido da região. É com a ajuda do irmão bastardo que ele conseguirá ter acesso ao seu prêmio mais valioso.         

 Todos esses elementos – amor, corrupção, violência e instinto- se harmonizam num desfecho previsível e melodramático. Um dramalhão escancarado com ares de fábula, no melhor estilo Bollywood. Alie, portanto, essa despretensão com a crítica social e o ritmo eletrônico de Boyle e temos um dos filmes mais originais do ano. Nesse panorama, o roteiro adaptado de Simon Beaufoy funciona como catalisador no sentido equilibrar os excessos da trama. O final em ritmo de dança é uma homenagem tácita do diretor ao cinema indiano. 

 Numa trajetória marcada por bons momentos – os ótimos Traisnpotting e Cova Rasa- e outros nem tanto – o medianoSunshine e o péssimo A Praia- Danny Boyle encontra fora do país, o seu golpe de mestre. Com Quem Quer Ser Um Milionário? o diretor finalmente chegou no seu auge. Como ele conseguiu?       

 

A: Ele trapaceou

B. Ele é sortudo

C. Ele é BOM

D: Está escrito

 

Resposta fácil! 

Além disso